domingo, 1 de junho de 2008

Resenha de Filme III: O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl. Alemanha, 1934, 110 min.

O documentário produzido com a autorização do Führer mostra toda a pompa e grandiosidade contidas nos desfiles e discursos do partido Nacional-Socialista alemão. São exaltadas durante as cenas a ordem, disciplina, unidade, raça e espírito de camaradagem essenciais, e também closes sobre Hitler, que protagoniza as quase duas horas de duração do documentário e, como trilha sonora, misturam-se temas Wagnerianos, canções folclóricas alemãs, hinos tradicionais e marchas nazistas.
A ocasião deu-se durante a anunciada reunião do partido Nacional-Socialista na cidade de Nuremberg, antiga capital medieval imperial, em 1934. O Triunfo da Vontade mostra como o Terceiro Reich moveu massas através da propaganda, e também como Hitler tinha uma incrível e única habilidade de comover multidões e fazê-las acreditarem e realizarem suas vontades através do poder de sua palavra e de seu carisma.
Há trechos em que o discurso é dirigido à massa jovem alemã, que, segundo o Führer, formarão a nação alemã por ele idealizada que desconhece classes. Também chama a atenção do espectador a questão do comprometimento e da fidelidade dos jovens alemães para com seu líder, além da prática da coragem e da obediência.
Leni Riefenstahl empreendeu o feito de traduzir em linguagem cinematográfica duas vertentes poderosas que se ocultavam por detrás da imagem do Führer e que eram muito eficazes junto ao público alemão. A primeira delas vinha da tradição cristã que, tanto nos Evangelhos como no Livro do Apocalipse, deposita enormes esperanças na chegada de um salvador, de um messias. Hitler definitivamente tinha que ser apresentado assim. Portanto, logo que o filme de Leni começa, vê-se o aeroplano dele aproximando-se como se viesse de algum lugar celestial, ou seja, o encontro do enviado de Deus com os seus logo se daria. Quando Hitler adentra no estádio em meio a uma multidão tremenda, estimada em 200 mil milicianos de todos os cantos da Alemanha, arregimentados em duas grandes alas, assemelha-se a um Moisés cortando a passo as águas do Mar Vermelho para ir conduzir o seu povo, liberto do algoz estrangeiro, à terra prometida, ao império da nova ordem nacional-socialista.

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