domingo, 22 de junho de 2008
O curso está acabando!
domingo, 15 de junho de 2008
Breve comentário sobre "Triumph des Willens"
domingo, 1 de junho de 2008
Resenha de Filme III: O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl. Alemanha, 1934, 110 min.
A ocasião deu-se durante a anunciada reunião do partido Nacional-Socialista na cidade de Nuremberg, antiga capital medieval imperial, em 1934. O Triunfo da Vontade mostra como o Terceiro Reich moveu massas através da propaganda, e também como Hitler tinha uma incrível e única habilidade de comover multidões e fazê-las acreditarem e realizarem suas vontades através do poder de sua palavra e de seu carisma.
Há trechos em que o discurso é dirigido à massa jovem alemã, que, segundo o Führer, formarão a nação alemã por ele idealizada que desconhece classes. Também chama a atenção do espectador a questão do comprometimento e da fidelidade dos jovens alemães para com seu líder, além da prática da coragem e da obediência.
Leni Riefenstahl empreendeu o feito de traduzir em linguagem cinematográfica duas vertentes poderosas que se ocultavam por detrás da imagem do Führer e que eram muito eficazes junto ao público alemão. A primeira delas vinha da tradição cristã que, tanto nos Evangelhos como no Livro do Apocalipse, deposita enormes esperanças na chegada de um salvador, de um messias. Hitler definitivamente tinha que ser apresentado assim. Portanto, logo que o filme de Leni começa, vê-se o aeroplano dele aproximando-se como se viesse de algum lugar celestial, ou seja, o encontro do enviado de Deus com os seus logo se daria. Quando Hitler adentra no estádio em meio a uma multidão tremenda, estimada em 200 mil milicianos de todos os cantos da Alemanha, arregimentados em duas grandes alas, assemelha-se a um Moisés cortando a passo as águas do Mar Vermelho para ir conduzir o seu povo, liberto do algoz estrangeiro, à terra prometida, ao império da nova ordem nacional-socialista.
Resenha de Filme II: Arquitetura da Destruição – Peter Cohen. Suécia, 1989. 121 min.
Cohen aborda um perfil psicológico pouco conhecido do Führer, que era a sua admiração por Karl May, escritor alemão de livros infantis, que narrava histórias sobre índios e outros tipos de mitos carregados de heroísmo, e este heroísmo fez parte da figura de Hitler até sua vida adulta.
Em 1918, Hitler tem sua matrícula recusada na Escola de Arte de Viena (fato que se deu bem antes da ascensão nacional-socialista), e através de seu poder, encontrou uma forma de expressar sua arte em coisas simples, desde o desenho do uniforme dos oficiais SS até em obras arquitetônicas grandiosas. Vale ressaltar que Hitler admirava padrões de beleza física na Antiguidade, principalmente sob a figura de gregos e romanos, além de mitos medievais alemães.
Assim, é estabelecido um elo entre a formação de Hitler e de outros oficiais e os critérios utilizados para dar base à ideologia que se fundamentava na busca da beleza e da pureza raciais. Hitler recorria também aos médicos, a quem chamava de "guerreiros biológicos que cuidam da beleza da raça", para montar teorias racistas e aplicar monstruosos programas de eutanásia, de eliminação de portadores de deficiências físicas ou mentais e para contribuir com o esforço de "limpar o Terceiro Reich de sujeira biológica", numa referência aos judeus. Um detalhe curioso abordado por Cohen: os médicos eram a categoria profissional com maior número de adeptos ao partido nacional-socialista, 45% deles eram filiados.
Do ponto de vista social, o embelezamento é vinculado diretamente à limpeza. A limpeza do local de trabalho e a limpeza do próprio trabalhador. Os nazistas consideram que ao garantir ao trabalhador a saúde e a limpeza, libertam-no de sua condição proletária e, garantem-lhe dignidade de burguês, eliminando portanto a luta de classes.
"Arquitetura da Destruição" se equilibra ainda sobre a linha cronológica. Conta o desenrolar da Segunda Guerra Mundial como pano de fundo para desenvolver sua tese a respeito dos valores estéticos de Hitler e sua importância na gênese do nazismo. O filme dedica ainda um bom tempo à perseguição e eliminação dos judeus como parte do processo de purificação, não só da raça, mas de toda a cultura, mostrando o processo de extermínio. É interessante perceber que, durante toda a guerra, mesmo no período final com a proximidade da derrota, os projetos arquitetônicos do III Reich tiveram andamento, pretendendo construir a nova Berlim, capital do mundo.
O nazismo atingiu toda essa força porque suas idéias atingiram a história. Hitler, ao construir monumentos, imaginava como eles seriam quando destruídos; era importante mostrar às gerações futuras a soberania alemã. Hitler era visto com gênio e utilizava a cultura como ponto chave na obtenção de apoio popular; usava a estética, em vez da política, para massificar a sociedade. Ter nascido na Alemanha era ser superior. O povo poderia se expressar, mas não poderia alterar o regime de propriedade vigente. A estetização da política e o fascismo fascinante violentaram a massa, impuseram o culto a um chefe que via na guerra um modo de fornecer um objetivo ao povo sem tocar no estatuto da propriedade. A estética provou a Hitler que ela não se sustenta sozinha, e que precisa de meios históricos e políticos para realmente conceder poder e transformar a sociedade.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Resenha de Filme I: Homo Sapiens 1900 – Peter Cohen. Suécia, 1998. 88 minutos.
O documentário Homo Sapiens 1900 tem como tema central a eugenia, ciência que estudas as melhores condições de melhoramento da raça humana. Tal teoria é abordada sob o lado negativo, com ideais de limpeza mental e racial.
O diretor narra a história da eugenia desde o seu surgimento, e também como nos Estados Unidos e na Europa ela tornou-se prática de racistas de regimes totalitários.
Logo no início do documentário, são exibidas cenas de uma espécie de feira nos Estados Unidos, que mostra como pessoas deficientes e com retardo representam um fardo à sociedade. Isto empolga tanto os americanos que, no início no século XX, foram aprovadas leis que permitiam ou obrigavam a esterelização de seres cuja reprodução era considerada indesejável em mais de 20 estados. Essas leis foram adotadas também pela Suécia, e vigoravam até poucas décadas atrás.
Vê-se também propagandas do governo sueco que estimulava o orgulho da pureza racial nórdica, com concursos objetivados a escolher crianças ideais, consideradas perfeitas aos olhos dos jurados do evento.
Embora por caminhos opostos, ambos os regimes totalitários, fascista e nazista, recorreram à eugenia como forma de criar o novo homem que propunham. Na Alemanha nazista, a limpeza racial passava pelo corpo, buscava a beleza e a perfeição física nos moldes que deveriam construir o super-homem ariano. Na União Soviética de Stalin, a eugenia tinha como foco o cérebro e o intelecto, também com vistas à criação de um novo homem idealizado.
Chocam as imagens de Lenin morto e de seu cérebro nas mãos de cientistas. A massa cinzenta do líder socialista foi, a ponto de partida fundamental do Instituto do Cérebro em Moscou, um dos xodós do alto comando soviético. O ditador Stalin imaginava que, se fosse possível desvendar os segredos intelectuais dos gênios russos e aplicá-los aos camaradas comuns, teria sido dado o primeiro passo na criação do "novo homem comunista", digno do aval do Partido desde o nascimento.
Sob o aspecto da política de higiene racial nazista, a manipulação se dá pelo aspecto físico. O documentário mostra cenas de casas onde mães alemãs dariam à luz à futuros arianos racialmente puros, mas isso conflita com a própria política nazista, à medida em que o cruzamento para a gerar a criança perfeita ofende o conceito de família que o regime pregava.
O que mais chama a atenção neste documentário é a loucura humana e seus monumentos subentendidos à eugenia, como na cena em que um médico americano ordena à enfermeira que deixe à morte um bebê que nasceu deformado, e argumenta que, às vezes, salvar uma vida é um crime maior do que tirá-la.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Fichamento III
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Rio, 24 de março de 2008
Nome: Jéssica Caroline da Silva Coimbra – DRE: 107360999
Prof: Ricardo Figueiredo de Castro
Tópico Especial em História Contemporânea II – Nazismo, Neo-Nazismo e Revisionismo
PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361.
Os regimes fascistas apresentaram muito mais impacto do que os movimentos fascistas, por possuírem o poder de guerra e de morte, e por ser composto de ingredientes distintos, mas perfeitamente combináveis, como conservadorismo, extrema-direta, unidos por inimigos em comum e pela regeneração e purificação da Nação, mesmo que isso viole termos das instituições livres, ou seja, o fascismo se assemelha muito mais a uma rede de relações que a um fato fixo, isolado.
É complicado explicar por que o fascismo estabeleceu-se em determinadas áreas e não em outras, em diferentes espaços num tempo de decadência moral, mesmo isso tudo se relacionando a uma história anterior.As tentativas de se analisar o comportamento caracterizado como fascista foram de fato prejudicadas pela inacessibilidade do objeto, e na dificuldade em entender se os líderes fascistas eram realmente loucos, mas em contraposição havia o fato de que eram adorados por seu público, e que conseguiram exercer suas funções com sucesso por tanto tempo. Isto talvez se deva, como já foi dito anteriormente, ao fato de esses regimes terem se estabelecido em uma época na qual estavam em baixa valores morais, auto-estima, além de crescente inflação, fome e desemprego. Assim, torna-se plausível a grande aceitação desses líderes por parte do povo, que viam neles esperança de melhores tempos, com o rearmamento, crescimento da indústria bélica, maior oferta de empregos, além da “purificação”da raça branca, ariana, ou simplesmente “pura”.
Uma corrente de pensamento influente vê o fascismo como uma ditadura desenvolvimentista, estabelecida com o propósito de acelerar o crescimento industrial pela poupança forçada e pela arregimentação da força de trabalho. É possível afirmar que a Alemanha, embora já àquela época um gigante industrial, tinha a urgente necessidade de disciplinar seu povo para a imensa tarefa da reconstrução, após a derrota de 1918.
A partir da década de 1970, e cada vez mais atualmente, traduzir a cultura das sociedades fascistas por um olhar antropológico ou etnográfico entrou na moda como estratégia intelectual. Tal tradução mostra de que forma os movimentos e regime s fascistas se apresentavam ao público. Um problema dos estudos culturais do fascismo que é mencionado com menor freqüência vem de sua incapacidade de traçar comparações, que por sua vez são essenciais, e revelam que alguns países contavam com um poderoso preparo cultural, só se ornaram fascistas por meio de conquistas, nos casos em que isso aconteceu. O efeito da propaganda também tem que ser comparado com o da mídia comercial, que era nitidamente maior, mesmo nos países fascistas.
Embora todos os fascismos sejam militaristas, nem todas as ditaduras militares são fascistas. A maioria delas atua como simples tirania, sem ousar desencadear a excitação popular do fascismo. Estas são muito mais comuns que o fascismo, pois não possuem vínculos obrigatórios com democracias fracassadas, ao contrário das ditaduras militares.
Fichamento I
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Rio, 17 de março de 2008
Nome: Jéssica Caroline da Silva Coimbra – DRE: 107360999
Prof: Ricardo Figueiredo de Castro
Tópico Especial em História Contemporânea II – Nazismo, Neo-Nazismo e Revisionismo
SILVA, Francisco C. T. da. “Os fascismos” In.: REIS FILHO, Daniel Aarão. Século XX. Vol. II: O tempo das crises. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 2000.
Denomina-se fascismo, ou fascismos, os movimentos totalitários ou de extrema direita que dominaram grande parte dos países europeus desde os anos 20 até o fim da 2ª Guerra Mundial, em 1945. Esta denominação é conseqüência de ter se estabelecido, primeiro na Itália em 1922, em forma de um movimento político de identidade própria, servindo de modelo, alguns anos depois, aos demais regimes.
Após o final da década de 80, o fascismo estava diante de uma intensa retomada de interesse, sob novos aspectos e teorias explicativas. Tal fato se deve a três motivos: primeiro, houve a publicação dos arquivos de países como Estados Unidos, Rússia e Inglaterra, tendo completado 50 anos após o fim da 2ª Guerra Mundial; segundo, a devolução e abertura dos arquivos da Gestapo, a partir da reunificação alemã com a queda do muro de Berlim; e por fim, o ressurgimento do fascismo como movimento de massas na França, Inglaterra, Rússia e Alemanha, e isto obrigou os historiadores a reverem o fascismo como conseqüência direta da 1ª Guerra Mundial.
