quarta-feira, 2 de abril de 2008

Fichamento III

Universidade Federal do Rio de Janeiro
Instituto de Filosofia e Ciências Sociais
Rio, 24 de março de 2008
Nome: Jéssica Caroline da Silva Coimbra – DRE: 107360999
Prof: Ricardo Figueiredo de Castro
Tópico Especial em História Contemporânea II – Nazismo, Neo-Nazismo e Revisionismo

PAXTON, Robert O. A anatomia do fascismo. São Paulo, Paz e Terra, 2007. Capítulo 8: p.335-361.

Os regimes fascistas apresentaram muito mais impacto do que os movimentos fascistas, por possuírem o poder de guerra e de morte, e por ser composto de ingredientes distintos, mas perfeitamente combináveis, como conservadorismo, extrema-direta, unidos por inimigos em comum e pela regeneração e purificação da Nação, mesmo que isso viole termos das instituições livres, ou seja, o fascismo se assemelha muito mais a uma rede de relações que a um fato fixo, isolado.
É complicado explicar por que o fascismo estabeleceu-se em determinadas áreas e não em outras, em diferentes espaços num tempo de decadência moral, mesmo isso tudo se relacionando a uma história anterior.As tentativas de se analisar o comportamento caracterizado como fascista foram de fato prejudicadas pela inacessibilidade do objeto, e na dificuldade em entender se os líderes fascistas eram realmente loucos, mas em contraposição havia o fato de que eram adorados por seu público, e que conseguiram exercer suas funções com sucesso por tanto tempo. Isto talvez se deva, como já foi dito anteriormente, ao fato de esses regimes terem se estabelecido em uma época na qual estavam em baixa valores morais, auto-estima, além de crescente inflação, fome e desemprego. Assim, torna-se plausível a grande aceitação desses líderes por parte do povo, que viam neles esperança de melhores tempos, com o rearmamento, crescimento da indústria bélica, maior oferta de empregos, além da “purificação”da raça branca, ariana, ou simplesmente “pura”.
Uma corrente de pensamento influente vê o fascismo como uma ditadura desenvolvimentista, estabelecida com o propósito de acelerar o crescimento industrial pela poupança forçada e pela arregimentação da força de trabalho. É possível afirmar que a Alemanha, embora já àquela época um gigante industrial, tinha a urgente necessidade de disciplinar seu povo para a imensa tarefa da reconstrução, após a derrota de 1918.
A partir da década de 1970, e cada vez mais atualmente, traduzir a cultura das sociedades fascistas por um olhar antropológico ou etnográfico entrou na moda como estratégia intelectual. Tal tradução mostra de que forma os movimentos e regime s fascistas se apresentavam ao público. Um problema dos estudos culturais do fascismo que é mencionado com menor freqüência vem de sua incapacidade de traçar comparações, que por sua vez são essenciais, e revelam que alguns países contavam com um poderoso preparo cultural, só se ornaram fascistas por meio de conquistas, nos casos em que isso aconteceu. O efeito da propaganda também tem que ser comparado com o da mídia comercial, que era nitidamente maior, mesmo nos países fascistas.
Embora todos os fascismos sejam militaristas, nem todas as ditaduras militares são fascistas. A maioria delas atua como simples tirania, sem ousar desencadear a excitação popular do fascismo. Estas são muito mais comuns que o fascismo, pois não possuem vínculos obrigatórios com democracias fracassadas, ao contrário das ditaduras militares.

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