segunda-feira, 7 de abril de 2008

Resenha de Filme I: Homo Sapiens 1900 – Peter Cohen. Suécia, 1998. 88 minutos.

O documentário Homo Sapiens 1900 tem como tema central a eugenia, ciência que estudas as melhores condições de melhoramento da raça humana. Tal teoria é abordada sob o lado negativo, com ideais de limpeza mental e racial.

O diretor narra a história da eugenia desde o seu surgimento, e também como nos Estados Unidos e na Europa ela tornou-se prática de racistas de regimes totalitários.

Logo no início do documentário, são exibidas cenas de uma espécie de feira nos Estados Unidos, que mostra como pessoas deficientes e com retardo representam um fardo à sociedade. Isto empolga tanto os americanos que, no início no século XX, foram aprovadas leis que permitiam ou obrigavam a esterelização de seres cuja reprodução era considerada indesejável em mais de 20 estados. Essas leis foram adotadas também pela Suécia, e vigoravam até poucas décadas atrás.

Vê-se também propagandas do governo sueco que estimulava o orgulho da pureza racial nórdica, com concursos objetivados a escolher crianças ideais, consideradas perfeitas aos olhos dos jurados do evento.

Embora por caminhos opostos, ambos os regimes totalitários, fascista e nazista, recorreram à eugenia como forma de criar o novo homem que propunham. Na Alemanha nazista, a limpeza racial passava pelo corpo, buscava a beleza e a perfeição física nos moldes que deveriam construir o super-homem ariano. Na União Soviética de Stalin, a eugenia tinha como foco o cérebro e o intelecto, também com vistas à criação de um novo homem idealizado.

Chocam as imagens de Lenin morto e de seu cérebro nas mãos de cientistas. A massa cinzenta do líder socialista foi, a ponto de partida fundamental do Instituto do Cérebro em Moscou, um dos xodós do alto comando soviético. O ditador Stalin imaginava que, se fosse possível desvendar os segredos intelectuais dos gênios russos e aplicá-los aos camaradas comuns, teria sido dado o primeiro passo na criação do "novo homem comunista", digno do aval do Partido desde o nascimento.

Sob o aspecto da política de higiene racial nazista, a manipulação se dá pelo aspecto físico. O documentário mostra cenas de casas onde mães alemãs dariam à luz à futuros arianos racialmente puros, mas isso conflita com a própria política nazista, à medida em que o cruzamento para a gerar a criança perfeita ofende o conceito de família que o regime pregava.

O que mais chama a atenção neste documentário é a loucura humana e seus monumentos subentendidos à eugenia, como na cena em que um médico americano ordena à enfermeira que deixe à morte um bebê que nasceu deformado, e argumenta que, às vezes, salvar uma vida é um crime maior do que tirá-la.

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